Esse debate, que poderia muito bem ser o roteiro de um filme, é o cerne de ‘Day One’, a nova série da Prime Video e 3Cat que promete nos deixar grudados na tela. Por trás dela está Pau Freixas, conhecido por ser o criador do fenômeno internacional ‘Polseres Vermelles’.
Na concorrida estreia da série, entre holofotes e tapete azul, conversamos com o elenco. Lançamos as dúvidas que todos temos: o que pensam realmente sobre a IA? E, já que estávamos lá, como sobreviveriam a um apocalipse em plena Barcelona? As respostas de Jordi Mollà, Asier Etxeandia, Mireia Oriol, Iván Massagué e Mercè Martínez foram tão variadas quanto diretas.
Tecnologia e IA: amigas ou inimigas?
Ao perguntar sobre o avanço tecnológico, as opiniões se dividiram, mostrando que esse tema gera tanto fascínio quanto desconfiança. Jordi Mollà foi claro, distinguindo entre a ferramenta e sua aplicação: “Tenho medo do uso da tecnologia, mas não da tecnologia em si”. Uma reflexão que coloca o foco na responsabilidade humana, um ponto-chave que a série também explora.
No outro extremo, encontramos um tecnófobo declarado: Asier Etxeandia. Com muito humor, ele não teve rodeios. «Eu odeio isso. Sou um boomer clássico», confessou entre risos. Para ele, o progresso digital tem um lado sombrio. «Aterroriza-me ter de falar com máquinas, a falta de contacto pessoal com as pessoas e o quão perigoso pode ser estar nas mãos de pessoas sem responsabilidade». A sua opinião sobre o ChatGPT foi ainda mais direta: «É chato e é um “comeculos”. Falar com uma máquina… para quê? Não, não, não».
Com uma visão mais otimista, Mireia Oriol defendeu encontrar o equilíbrio. “Tento relativizar tudo. Acho que a tecnologia, bem usada, em boas mãos, pode ser uma ferramenta muito boa”, explicou. Por sua vez, Iván Massagué levou o debate para o seu terreno profissional. “Na minha profissão, começamos a pensar nisso. O que vai acontecer? Se o Brad Pitt vender os seus direitos, é o Brad Pitt. Se eu os vender, ninguém vai se interessar”, brincou, embora com um fundo de preocupação real. “Quero pensar que não somos assim tão loucos”, concluiu.
Finalmente, Mercè Martínez surpreendeu-nos com a sua própria experiência. Embora se questione se a IA chegará a ter “consciência verdadeira”, encontrou uma utilidade prática para ela. “Coloco os meus textos no ChatGPT e, às vezes, ele destaca coisas que eu talvez não destacaria. Não para gerar ideias, mas para esclarecer”, admitiu.
Um apocalipse em Barcelona
Inspirados pelo enredo de «Day One», não resistimos a perguntar-lhes o que fariam se tivessem de se refugiar na cidade condal durante uma catástrofe. Asier Etxeandia, fiel às suas raízes, foi muito claro: «Com todo o meu amor por Barcelona, que adoro, mas para morrer não iria para Barcelona: iria para a minha casa em Bilbao. E se tiver que morrer aqui, que seja olhando para o mar”.
Outros, por outro lado, ficariam. Iván Massagué acredita que ficaria «paralisado», embora tenha acrescentado com ironia: «Somos tão malucos que ainda jantaríamos. Que me apanhem a dançar!». Mireia Oriol optaria por um plano mais íntimo: «Ficaria em casa com o meu parceiro e a minha cadela, e prepararia um bom jantar, como boa taurina que sou».
Mercè Martínez encontrou o refúgio perfeito na sua grande paixão: «O que é melhor do que um cinema? Se tenho de passar a última noite, um cinema é um bom lugar». E, falando de eventos que paralisam a cidade, aproveitamos para perguntar-lhes sobre o Mobile World Congress. Enquanto Iván o vê como uma «revolução económica importante», Mercè suspirou ao lembrar-se do trânsito: «Sabes que demorei quase uma hora para chegar? Barcelona está paralisada».
