O temido corredor de transferência entre as linhas de metro L3 e L4 em Passeig de Gràcia, conhecido pela sua extensão (quase 240 metros) e, convenhamos, pelo seu tédio, já não é apenas um túnel, mas uma verdadeira experiência. A cidade apresentou ARS GRÀCIA, uma instalação interactiva que promete trazer uma banda sonora, cor e muita vida a um dos percursos subterrâneos mais movimentados e menos apreciados de Barcelona.
A iniciativa, que se insere no âmbito das comemorações do centenário da rede de metro, é o projeto vencedor de um desafio de inovação urbana promovido pelo TMB, pela Câmara Municipal de Barcelona (através do BIT Habitat) e pela Fundação Barcelona Music Lab. O objetivo era claro: repensar este emblemático transbordo e torná-lo mais amigável e estimulante para os milhares de utilizadores que o atravessam todos os dias.
Quando os viajantes se tornam notas musicais
A alma deste projeto é a combinação de música, tecnologia e interação. Ao longo de um troço de 35 metros, a instalação transforma os peões em protagonistas involuntários de uma composição audiovisual única.
Graças a um sistema que mistura Inteligência Artificial (a famosa ARS) e composição algorítmica, cada pessoa que percorre o corredor é transformada numa nota musical. O movimento e a presença dos utilizadores geram em tempo real padrões sonoros e visuais e até “batidas leves” que percorrem o espaço. Desta forma, o ambiente não é estático: é um ecossistema audiovisual que está em constante mutação, oferecendo uma experiência diferente em cada visita. A ideia por detrás disto é transformar o que antes era uma simples viagem num momento de estimulação, tornando a viagem finalmente mais agradável.
Um novo palco para o talento de rua
Mas o ARS GRÀCIA não é apenas digital. A proposta criou também um espaço físico, o ARS STAGE, concebido para a música ao vivo. Este palco está equipado com tecnologia de ponta, como um ecrã LED e um sistema de amplificação plug&play que garante excelentes condições acústicas.
Este recanto cultural tem como objetivo promover as actuações dos músicos que fazem parte da Associação de Músicos de Rua e Subterrâneos de Barcelona (AMUC). Estes poderão agora tocar num ambiente optimizado e complementar o seu talento com os efeitos visuais da instalação. É uma forma de dignificar e dar visibilidade à arte que já faz parte da vida subterrânea da cidade.
No dia da inauguração, o Presidente da Câmara, Jaume Collboni, e a Presidente do TMB, Laia Bonet, sublinharam precisamente esta “simbiose entre cultura acessível no espaço público e inovação”. De facto, a estreia incluiu uma atuação surpresa da banda Sidonie, que pôde experimentar a nova vida deste túnel.
O teste-piloto do ARS GRÀCIA, um projeto desenvolvido pela plataforma catalã ARTIFICIA com o apoio, entre outros, do Instituto de Investigação em Inteligência Artificial do CSIC (IIIA-CSIC), estará operacional durante três meses na transferência. Tempo suficiente para monitorizar o seu impacto e determinar se este corredor, que muitos residentes de Barcelona têm tentado evitar a todo o custo, se tornará um novo nó cultural e sensorial na cidade.
