Já há anos que o Pride é muito mais do que um dia. De forma orgânica, o que começou por ser um dia de reivindicação, que antes se limitava a 28 de junho, foi-se alargando. Agora, a 1 de junho começa, de forma quase oficial, o mês LGTBIQ+, os dias do ano em que a inclusão se torna mais visível do que nunca numa Barcelona que se enche de atividades para celebrar um mês que não devia ser uma exceção.
Num evento aberto ao público, o presidente do Pride BCN 2026, Ferran Poca, e a vice-presidente e diretora da área Social, Maria Giralt, acompanhados pelo grupo impulsionador de entidades sociais LGBTQIA+, apresentaram a nova campanha social e a agenda de visibilidade para esta edição, que promete ser a mais participativa até à data, graças ao envolvimento ativo de 16 entidades no seu desenvolvimento e ao apoio de mais de 40 coletivos.
Sob o lema «Totes les realitats, un sol orgull» (Todas as realidades, um único orgulho), a iniciativa deste ano centra-se no conceito de interseccionalidade como ferramenta fundamental para compreender a comunidade de uma forma mais humana e complexa. A premissa é clara: ninguém é definido por um único elemento, e realidades como a orientação sexual, a identidade de género, a origem, a idade, a classe social ou a situação administrativa cruzam-se constantemente, transformando as experiências de vida de cada pessoa.
Um mosaico humano inspirado na ciência
Para retratar esta complexidade de forma simples e visual, a campanha inspirou-se num sistema universal: a tabela periódica. Da mesma forma que a química combina os seus elementos para explicar a matéria, esta proposta mistura categorias sociais e identidades para dar forma às pessoas que compõem o coletivo. O resultado são nove retratos fotográficos, liderados pela direção criativa de Daniel Jarque e pelas imagens de Pedro Quintana, que mostram que a bandeira do orgulho não é feita só de cores, mas de histórias e lutas partilhadas.
Durante a apresentação, os organizadores lembraram que o Pride assenta em três pilares: reivindicação, visibilidade e celebração. Enquanto os dois primeiros estiveram no centro do evento desta quarta-feira, o cartaz puramente festivo e musical vai continuar em segredo por mais algum tempo, já que será divulgado no próximo dia 25 de junho através das redes sociais da entidade.
Quase um mês de cultura e debate nos bairros
A nova agenda de visibilidade arranca a 27 de junho e vai até 19 de julho, mostrando que este evento vai muito além de um fim de semana de festa. Entre as atividades gratuitas que vão encher o calendário, destacam-se:
- 30 de junho: Exibição do documentário «Cashing Out» e colóquio a seguir no Centre Cívic Urgell, organizado pela BCN Checkpoint, para relembrar os primeiros anos da epidemia do VIH.
- 3 de julho: O encontro artístico e comunitário «Hablemos de Chuches» na Arena Xperience, que vai abordar o chemsex sem preconceitos e com humor drag.
- 5 de julho: Encontro com o desporto inclusivo na Queers League, organizada pela Tiresias no Centro Desportivo Municipal Vila Olímpica.
- 8 de julho: Mesa redonda «Diàspores Asiàtiques Queer», em parceria com a Casa Àsia, para debater sobre migração e identidade.
- 9 de julho: Jornada Think Plus sobre saúde no trabalho e diversidade com a Cambra LGTBIQ+ da Catalunha, que vai terminar com a música do Doctor Prats.
- 11 de julho: Uma nova edição do já clássico Vermut Trans, um espaço de encontro e visibilidade para as realidades trans e não binárias.
- 14 de julho: Sessão especial do FIRE!! em digressão no Ateneu Fort Pienc com curtas-metragens do Casal Lambda.
- 15 de julho: O workshop internacional «Interseccionalidade sem fronteiras » para tecer redes globais de defesa dos direitos.
O Orgulho regressa ao centro de Barcelona
O ponto alto desta edição vai acontecer de 16 a 18 de julho, trazendo de volta os grandes eventos ao coração da cidade. As atividades principais começam na quinta-feira, dia 16, com o tradicional discurso de abertura na Plaça Universitat. Nos dias 17 e 18, a música e a cultura vão tomar conta dos palcos que serão montados tanto na própria Plaça Universitat como no Passeig de Lluís Companys.
O grande momento de mobilização vai ser no sábado, 18 de julho, com a grande manifestação de reivindicação. A marcha vai começar na Plaça Universitat, seguir pela Gran Via até chegar à Tetuan e descer pelo Passeig de Lluís Companys para terminar debaixo do Arco do Triunfo, num ano crucial em que Barcelona continua a impulsionar a sua candidatura para se tornar a sede do WorldPride 2030.