A esta altura, já todos sabemos que tentar atravessar o Paseo de Gràcia num dia 23 de abril é, possivelmente, o desporto de risco mais praticado pelos barceloneses. No entanto, em 2026, a cidade propôs-se que não tenhamos de brincar aos «carros de choque» humanos para conseguir a nossa rosa.
A grande maçã literária do centro continua a ser o epicentro. Este ano, com as obras nas Ramblas, a Superilla Literária muda um pouco de localização e estende-se pelo Portal del Àngel e pela Catedral, mas mantém a sua essência.
Mas a verdadeira magia deste ano espalha-se pelos bairros, que blindaram as suas praças e ruas principais para criar refúgios pedonais onde se pode folhear livros sem que uma trotineta te passe por cima dos pés.
A grande novidade desta edição é o número recorde de pontos de venda. Segundo os dados da Câmara Municipal de Barcelona e da Gremi de Llibreters, a cidade vai ter mais de 6.200 bancas de livros e flores, o que representa um ligeiro aumento em relação ao ano anterior. Mas o que realmente nos interessa a nós, que preferimos um Sant Jordi mais «de proximidade», é que cada bairro criou a sua própria versão da superilla, tornando a festa muito mais orgânica e, acima de tudo, mais agradável.
Sant Jordi nos bairros: todas as superilhas longe do centro de Barcelona
Para quem foge das multidões da Praça da Catalunha, a periferia vestiu-se a rigor. A descentralização pretende que o aroma a papel novo e pétalas frescas chegue a todos os recantos da cidade. Aqui tens os principais espaços habilitados em cada bairro para que não tenhas de atravessar meia Barcelona:
- Ciutat Vella: A atividade concentra-se no Portal de l’Àngel, na Av. Catedral e no Passeig Lluís Companys, além da tradicional Rambla.
- L’Eixample: Para além do grande eixo central, as paragens espalham-se pela Plaça Catalunya, Universitat, Rambla Catalunya e o troço familiar do Passeig Sant Joan.
- Sants-Montjuïc: O coração da festa estará na Rambla de Sants, que se transforma num passeio literário ininterrupto.
- Les Corts: É habilitado um grande espaço na Av. Diagonal, concretamente no troço entre Joan Güell e Pau Romeva (lado do mar).
- Sarrià-Sant Gervasi: O ponto de encontro indiscutível será a emblemática Plaça de Sarrià.
- Gràcia: A rua Gran de Gràcia (entre Sèneca e Rambla del Prat) e a Plaça de la Vila voltarão a ser refúgios para os amantes das editoras independentes.
- Horta-Guinardó: Toda a vida do bairro vai concentrar-se na Plaça d’Eivissa.
- Nou Barris: Os livros tomam conta da Marquesina da Via Júlia e da Plaça del Virrei Amat.
- Sant Andreu: A festa decorre entre as praças d’Orfila e del Comerç, além da rua del Segre.
- Sant Martí: O eixo situa-se na Rambla del Poblenou, nas praças do Mercat e de Font i Sagué, e nos arredores da Biblioteca Gabriel García Márquez.
Um dia de portas abertas e autógrafos locais
O interessante neste mapa de espaços é que não se trata apenas de comprar e seguir em frente. Ao evitar as grandes multidões do centro, muitos destes pontos de venda nos bairros facilitam o encontro com autores locais que dedicam mais tempo a conversar com os leitores.
Além disso, este ano a celebração coincide com um dia de portas abertas em edifícios emblemáticos que costumam passar despercebidos. Locais como o Pavilhão Mies van der Rohe ou o Ateneu Barcelonès abrem as suas portas gratuitamente, juntando-se à tradicional visita à Câmara Municipal de Barcelona, que costuma ser o ponto alto para quem quer ver o pátio das carruagens cheio de rosas. Seja qual for o teu plano, lembra-te de que o melhor Sant Jordi costuma ser aquele que se descobre caminhando sem pressa pela tua própria rua.