A Câmara Municipal de Barcelona ativou o plano para transformar a histórica propriedade da rua Muntaner num centro cultural polivalente. A Comissão de Governo deu o aval inicial a um projeto que permitirá abrir ao público o controverso legado de Julio Muñoz Ramonet quase 40 anos após a sua morte.
A intervenção vai exigir um investimento total de 7,5 milhões de euros. O orçamento vai cobrir a reforma integral da residência principal e da torre Avenir. As obras nesta última estrutura vão começar em setembro próximo e vão durar até 2027.
Um tesouro artístico em Sant Gervasi

O futuro centro não funcionará como um museu convencional. A Fundação Muñoz Ramonet define-o como um espaço «misto e flexível» que combinará a exposição de arte com sedes para entidades culturais. A pinacoteca exibirá uma seleção de 268 peças, entre as quais se destacam telas de Goya, El Greco, Fortuny e Tiziano.
A coleção original tinha mais de mil obras, mas o litígio judicial com os herdeiros do industrial dificulta a recuperação da totalidade. De facto, os relatórios técnicos confirmam que 77 quadros de alto valor ainda permanecem em paradeiro desconhecido.
O refúgio da burguesia do pós-guerra
A reabilitação manterá intactas as salas nobres do piso térreo. O público poderá visitar a sala de jantar, a sala de música e o hall de entrada, que funcionam como um testemunho único da alta sociedade barcelonesa dos anos 40. Esses espaços refletem o poder de uma classe social que forjou sua fortuna durante a ditadura.
Os edifícios apresentam um ótimo estado de conservação, pelo que a reforma respeitará a arquitetura de Enric Sagnier. Os operários irão reparar humidades e fissuras pontuais, além de atualizar os sistemas de climatização e eletricidade para cumprir a normativa de visitas.
Por outro lado, a torre Avenir vai se tornar a sede oficial da Acadèmia del Cinema Català. O custo de adaptação desse edifício específico vai chegar a 2,8 milhões de euros. A prefeitura e a Generalitat vão contribuir com um milhão cada, enquanto a fundação do magnata vai assumir os 800.000 euros restantes.
De acordo com o calendário atualizado, as obras começarão formalmente em setembro e se prolongarão até 2027, enquanto se finalizam os acordos jurídicos pendentes para garantir a exibição estável da coleção da Fundação Julio Muñoz Ramonet.
A maior parte da reforma do palácio será executada durante o próximo mandato municipal, com o objetivo de inaugurar o complexo definitivo entre 2027 e 2031, com um modelo híbrido que combinará pinacoteca, programação cultural e espaços para entidades do setor.Até lá, os cidadãos poderão continuar a desfrutar do jardim, que mantém o seu acesso gratuito há uma década.
Com isso, Barcelona vai ter mais um palácio aberto ao público que esconde segredos, como o Palau de les Heures (e o seu bunker de LLuís Companys) ou a Casa Gralla, o palácio desconhecido de Portaferrissa que se transformou num gigantesco mercado de artigos em segunda mão.